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Se refletirmos sobre qualquer aspecto
do universo e da vida e perguntarmos a nós mesmos: quem fez tudo isto?...
É possível acreditar que o Criador de
tudo, da imensidão cósmica e da vida, inteligência suprema, soberano poder,
poderia estar fazendo experiências com a criação, para ver no que daria, assim
como se diz na Bíblia?
E poderia Ele fazer algo imperfeito,
para depois ir averiguar se houve erros na sua criação?
Será que Deus, a absoluta perfeição,
poderia arrepender-se de ter feito algo, como se não soubesse bem o que fazer e
acabasse errando em seus atos?
Em Gen. 6:6 e 7 se diz: “... então se
arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no
coração.
Disse o SENHOR: “Farei desaparecer da
face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos
céus; porque me arrependo de os haver feito”.
Os arrependimentos de Jeová estão ao
longo da história bíblica, como, por exemplo, em Ex. 32:14, por haver ameaçado o
povo de Israel; em 1o Sam. 15:11 e 35, por haver feito rei a Saul; em
2o
Sam., por ter dizimado 70 mil pessoas do seu povo; em Jonas 3:10, arrependeu-se
do mal que prometera fazer a Nínive, etc.
Entretanto, em 1o Samuel
15:29, este diz, referindo-se a Deus: “Também a Glória de Israel não mente nem
se arrepende; porquanto não é homem para que se arrependa”.
Se tais feitos e tal mentalidade,
conforme o que foi mostrado até aqui, são até compreensíveis e compatíveis com
uma época como aquela, em que a barbárie predominava, acredita que poderiam
originar-se diretamente de Deus, inteligência suprema, causa primária de todas
as coisas, perfeito em todos os seus atributos?
Com relação a essa perfeição, se
refletirmos, perceberemos que o Criador de tudo tem de ser absolutamente
perfeito, senão, tudo seria o cáos.
Em Deut. 10:18 se diz
que Deus “faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e
vestes”, concluindo: “Amai pois o estrangeiro, porque fostes estrangeiro na
terra do Egito”. Entretanto, ainda em Deut. 20:16, orientando a forma como seu
povo deveria invadir e exterminar seis nações para apossar-se de suas terras,
Jeová manda matar tudo que tenha fôlego.
Em 1o Samuel 28:17/19,
referindo-se à guerra de Israel contra Amaleque, num momento de furor Jeová
mandou matar tudo que tivesse fôlego, inclusive as crianças e até mesmo os
animais, e porque Saul deixara com vida alguns animais para oferecer-lhe como
holocausto, castigou-o com a morte, e não só a ele, mas a toda a sua família,
entregando ainda o povo de Israel nas mãos dos seus inimigos.
O escritor e estudioso da Bíblia,
Jaime Andrade, no livro
O Espiritismo e as Igrejas Reformadas, conta mais de 60 acessos de cólera
atribuídos a Jeová, entre os livros Êxodo e 2o Reis.
ALGUNS QUESTIONAMENTOS
a) Na sua concepção sobre Deus, acha
que Ele poderia agir assim, de forma tão cruel, tão perversa, mandando matar
tudo, até as crianças, e depois castigar com a morte Saul e toda a sua família e
ainda o próprio povo de Israel pelo fato dele ter deixado vivos alguns animais?
b) Acha que Deus, a perfeita justiça e
fonte do amor universal, poderia ter rompantes de ira ou furor?
d) Acredita que o
Criador poderia ser tão perverso e sanguinário como é mostrado no Antigo
Testamento, não só nessa, como também em centenas de outras passagens?
Pelas citações feitas até agora, que
representam uma mínima parcela das incongruências e absurdos encontrados no
Antigo Testamento, com relação a Deus, ou Jeová, podemos levantar algumas
hipóteses:
a) Certamente Moisés, visando infundir
respeito naquele povo rude e orgulhoso, atribuía à divindade todos aqueles
rompantes de ira, ameaças e ordens cruéis de que o Antigo Testamento está
repleto, assim como, também, de tantas outras leis e orientações, como as dos
holocaustos, oferendas etc.;
b) Conforme Jayme Andrade, é bem
provável que os seres espirituais responsáveis pela evolução do povo israelita
se fizessem representar por Jeová, que não seria Deus, mas sim, uma entidade
mais ou menos identificada com a índole guerreira da raça, porque é de se supor
que cada homem e cada povo tenha um Guia espiritual compatível com seu próprio
grau evolutivo. Talvez fosse algum dos seus antepassados, dotado da autoridade
necessária para impor-se e dominar.
O escritor Aureliano Alves Neto, no
prefácio do livro
O Espiritismo e as Igrejas Reformadas transcreve palavras do Reverendo
Maurice Elliot, do livro Erros Palpáveis da Bíblia, que diz: “A Bíblia
erroneamente compreendida é o pior inimigo da humanidade (...) Nenhum livro é
infalível. Nenhuma Igreja é infalível. Nós temos sido erroneamente ensinados.
Deus é Verdade. Amar Deus é amar a verdade, amar a busca da Verdade, amar a luta
pela Verdade. Não há outro meio.”
Observe-se que essas palavras foram
ditas por um reverendo.
É fácil concluir, então, que a imagem
que as religiões fazem sobre Deus é absolutamente incompatível com a
inimaginável grandeza do Soberano Senhor, Criador e mantenedor do universo, da
vida e das leis que tudo regem. Se não somos sequer capazes de entender o
infinito, nas dimensões do tempo e do espaço, não devemos ter a pretensão de
querer definir Deus.
Na codificação da doutrina
espírita, Allan Kardec perguntou aos espíritos superiores que lhe respondiam as
indagações: “Que é Deus?” A resposta foi:
“Deus é a Inteligência Suprema,
Causa Primária de Todas as Coisas”.
E continuaram os espíritos a
explicar, dizendo que Ele é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e
soberanamente justo e bom.
Outras explicações sobre Deus estão
muito bem definidas e detalhadas no primeiro capítulo de O Livro dos Espíritos,
obra basilar da codificação da Doutrina Espírita.
O espírito Miramez, no livro
Filosofia Espírita, vol.1, psicografado por João Nunes Maia, falando sobre Deus,
assim se expressa:
“A Suprema Majestade do Universo é,
por dignidade própria, o Inconcebível e o Incomparável. Nada se pode comparar ao
Arquiteto Universal; da Sua vida estuante e vigorosa saem vidas com a marca do
Seu amor. Somos todos filhos do Amor.”
“Deus é infinito nas Suas
perfeições, nas qualidades inerentes à Sua personalidade que se irradia em todas
as direções, que sustenta e dá existência a todas as dimensões do existir. Ele
está presente nas claridades do máximo e na luz do mínimo; vibra nas formas das
estrelas e canta nos movimentos dos átomos, faz mover todas as constelações e
harmoniza todo o ninho cósmico”.
Essas afirmativas, que se casam
perfeitamente com o bom senso, nos deixam mais leves, mais livres e de bem com a
vida, porque começamos a entender que Deus não nos esmaga com seus rompantes,
não nos rejeita em razão de predileções, não nos castiga por faltas inerentes à
nossa imaturidade espiritual, mas nos conduz com justiça e amor no rumo da nossa
evolução espiritual, dando-nos sempre novas e renovadas oportunidades de
reajuste com suas leis.
Podemos então entender que, para
os judeus, o Antigo Testamento deve ser um livro sagrado, por conter toda a sua
história e as bases de sua vida religiosa.
Mas para os demais, com outras
bases culturais e, nesta época, guiar-se por ele, ao pé da letra, reflete
estagnação evolutiva, e, conforme disse o Reverendo Maurice Elliot, “A Bíblia
erroneamente compreendida é o pior inimigo da humanidade”.
PERGUNTA LÓGICA
Onde então está a verdade
religiosa?
A verdade plena, absoluta, está
com Deus. As religiões possuem parcelas ou fatias dessa verdade; por isso, elas
são diferentes umas das outras. É por isso que tantas pessoas se convertem a
determinada religião, mas acabam passando para outra, até encontrar aquela que
se ajuste melhor à sua própria faixa evolutiva, ao seu psiquismo.
Essa é a procura da verdade. O ser
humano, nesse impulso interior da evolução, procura Deus. E, de acordo com a sua
estrutura psíquica, ele a encontra na religião cujas idéias se casam com a sua
própria natureza, com seu grau evolutivo, com a sua maneira de ver, pensar e
sentir… ou então, com a sua preguiça evolutiva, seu comodismo, ou seus
interesses.
Mas a verdadeira religião ainda vai
existir na Terra, quando o ser humano passar a ocupar-se em desenvolver a
fraternidade, os bons sentimentos, a conduta honesta e nobre, sem orgulho, sem
vaidades, sem ganância e sem ódios. Será a religiosidade vibrando no íntimo do
ser. Todas as outras são apenas formas ou fórmulas criadas para ajudar o ser
humano a um dia chegar à verdadeira religião, aquela que Jesus apresentou quando
disse: “ Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.
Mais detalhes no livrinho Temor
a Deus?, de Saara Nousiainen.
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