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PERGUNTA NATURAL
Se
antigamente eram oferecidos sacrifícios humanos aos deuses, por que hoje não se
faz o mesmo?
A
história da Terra mostra que tudo nela está em permanente evolução.
Antigamente ofereciam-se sacrifícios humanos aos deuses. Era a mentalidade da
época, mas essa mentalidade foi mudando com o lento progresso da Humanidade,
cedendo lugar a idéias mais desenvolvidas.
O
cristianismo também trouxe novas luzes ensinando o amor, o perdão e a mansidão
numa época em que a violência, o ódio e a vingança faziam parte da vida e da
natureza do homem.
PERGUNTA NATURAL
No
mundo atual, na era da ciência e da tecnologia, o pensamento religioso deve
permanecer igual ao de dois mil anos atrás?
Na
página sobre os fenômenos de Hydesville, vimos como o mundo ocidental foi
despertado para a existência de uma dimensão espiritual.
Mas
convém lembrar que essas não foram as primeiras ocorrências mediúnicas da
história. Elas sempre estiveram presentes, sendo tão velhas quanto a própria
Humanidade. A história está toda pontilhada desses fenômenos. A vida de Jesus,
por exemplo, foi um contínuo contato com o mundo espiritual, desde aqueles
obsessores, que foram intitulados demônios, até espíritos luminares, como
aconteceu no monte Tabor, conforme explicado em outra pagina.
Na
metade do século XIX, quando os homens já caminhavam na era da ciência e da
tecnologia, era necessário abrir um pouco mais o leque dos conhecimentos
tanscendentais, e eles chegaram através de inúmeros médiuns, nas mais diversas
partes do nosso planeta e foram codificados por Allan Kardec.
Kardec nasceu na cidade de Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804, tendo sido
batizado com o nome Hippolyte Leon Denizard Rivail.
Recebeu sólida instrução, concluindo seus estudos no famoso Instituto
Peztalozzi, em Yverdun, na Suíça.
Em
Paris, após bacharelar-se em Ciências e Letras, tornou-se conceituado Mestre,
lecionando química, física, matemática e astronomia; escreveu diversos livros
didáticos e foi membro de várias academias de sábios, inclusive da famosa
Academia Real D’Arras.
Quando, na Europa, na metade do século XIX, os fenômenos espirituais se tornaram
“jogos de salão”, Rivail resolveu investigá-los, acreditando tratar-se de
fraude. Mas as provas que obteve da presença de espíritos responsáveis por tais
fenômenos foram tão contundentes que teve de aceitar os fatos.

Com o
auxílio de médiuns, em grande parte adolescentes, foi elaborando perguntas aos
espíritos e anotando as respostas, abordando as mais intrincadas questões de seu
tempo e recebendo esclarecimentos para as mais dramáticas indagações da alma
humana, quanto ao seu passado, presente e futuro, e quanto à vida, o universo e
as leis que a tudo regem.
Por
essa época Rivail também passou a receber, das mais diversas e distantes partes
da Terra, cartas com mensagens dos espíritos, contendo explicações semelhantes
às que eram recebidas em Paris. Esse fato contribuiu para ele perceber que
aquelas informações realmente eram procedentes de esferas mais altas, já que
estavam sendo vertidas nos mais diferentes e distantes pontos do planeta, a
pessoas que não tinham conhecimento umas das outras nem do teor das mensagens
recebidas nos outros lugares.
Então, com todo esse material em mãos, passou a organizar as questões por
assuntos: As Causas Primárias, Mundo Espírita ou dos Espíritos, As Leis
Morais e Esperanças e Consolações. Às respostas dos espíritos foi
acrescentando seus próprios comentários e observações, num formidável trabalho
de codificação. Tudo isso foi enfeixado no O Livro dos Espíritos, que foi
publicado em Paris, em 18 de abril de 1857.
Como
Rivail era conhecido e respeitado, não só pelo seu caráter, mas também como
emérito professor e autor de inúmeras obras didáticas, ao publicar O Livro
dos Espíritos preferiu fazê-lo usando o pseudônimo Allan Kardec. Esse nome,
conforme lhe foi revelado, ele usara numa de suas encarnações quando fora
sacerdote druida.
Em
seguida vieram a lume O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o
Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.
Esses cinco livros formam a codificação da Doutrina Espírita.
O
Espiritismo, assim codificado, representa verdadeiro universo de informações e
novos conhecimentos, que mostram a vida e a evolução por um ângulo mais amplo,
cujos mecanismos são verdadeiramente justos, sábios e perfeitos, e “se casam”
com tudo o que experienciamos em nosso cotidiano. Eles nos dão paz, serenidade,
esperança e consolo. Nos permitem perceber como tudo tem explicação coerente e
justa.
A
Doutrina Espírita nos ensina uma conduta mais saudável para a mente e o corpo, e
uma ética de vida mais compatível com nossas necessidades evolutivas.
PERGUNTA
NATURAL
Por
que o Espiritismo tem encontrado tanta rejeição e até mesmo perseguição?
Em
todas as épocas sempre houve granítica rejeição a novas idéias, principalmente
quando vinham desestruturar antigos paradigmas. Com o Espiritismo não poderia
ser diferente.
Além
disso, o conhecimento espírita vinha jogar por terra o poder religioso,
contrariando fabulosos interesses, ancorados em poderosas estruturas. Isto
porque veio proclamar que não são as religiões que salvam, mas apenas e
exclusivamente a conduta de cada um. Veio informar também que não existe
salvação, porque ninguém está perdido, mas há a reencarnação e a lei de causa e
efeito, cujas engrenagens conduzem os seres à evolução, mostrando ainda, que
cada pessoa é a única responsável por seu presente e pelo seu futuro.
Mas
o Espiritismo não é uma religião, considerando-se que esse termo pressupõe
dogmas, sacerdócio, culto, rituais, sacramentos, obrigações, adoração, etc..
As
religiões cristãs pregam a divindade de Jesus e sua condição de “único Senhor e
Salvador”, aquele que, com seu “sacrifício”, com o “derramamento do seu sangue”,
possibilitou a “salvação” dos homens que nele cressem e fossem em seu nome
batizados.
No
Espiritismo não há dogmas, sacerdócio, cultos, rituais, sacramentos, obrigações,
adorações. É formado pelo tripé Ciência, Filosofia e Moral, firmemente
assentados sobre a religiosidade e a ética ensinada por Jesus. Informa que Jesus
não é Deus, conforme fica muito claro nos Evangelhos, mas, sim, um espírito de
elevada hierarquia, que veio ao mundo para promover mais um passo na evolução do
homem, ensinando-lhe o amor, como lei maior.
PERGUNTA NATURAL
Qual
é a diferença entre religião e religiosidade?
Religião é algo criado pelos homens, com todas as suas idiossincrasias e de
acordo com o entendimento de seus criadores.
Religiosidade é aquele sentimento, aquela condição interior, que leva a pessoa a
crer num ser superior, em quem se pode confiar, e a quem se deve obedecer,
através dos ditames da própria consciência; que lhe dá alento, esperança,
confiança e proporciona júbilo. É a religiosidade e não a religião que pode
levar alguém ao êxtase.
A
religiosidade se manifesta em cada um de acordo com seu próprio grau evolutivo,
embora muitas vezes esteja encoberto pela indiferença, a descrença e por
conceitos materialistas.
Num
ser primitivo, ela pode mesclar-se ao medo e às mais diversas superstições e
interesses, em virtude de seu pouco entendimento, sua pouca evolução.
Religiosidade é luz interior. Não pode ser confundida com essa busca desenfreada
e desesperada pelas religiões, que acontece ultimamente, movida principalmente
pelo medo ou por algum tipo de interesse.
PERGUNTA NATURAL
Que
tipo de interesses pode levar alguém a procurar uma religião?
São
os mais variados interesses que levam as pessoas a procurarem uma religião,
desde os meramente materiais, como desejo de conseguir um emprego, um bem, uma
promoção, melhor “status”, sucesso e prosperidade, até aqueles outros de
natureza espiritual, que variam de acordo com a crença de cada um: desejo de
livrar-se do Inferno; conseguir um “melhor lugar” no céu, ou no mundo
espiritual; tornar-se pupilo predileto de algum santo das suas devoções;
limpar-se do pecado, para que Jesus possa levá-lo ao Céu, quando de sua segunda
vinda à Terra; sentir-se protegido e amparado por algum ser superior, etc.
O
elenco de interesses é imensamente variado, e quando um “fiel”, movido por
qualquer tipo de interesse, deixa de ser atendido em suas pretensões, fica-lhe
difícil manter viva a sua fé.
Há
também aqueles que seguem a tradição. Nasceram numa religião e nela permanecem.
No
mundo cristão, apenas uma minoria procura uma religião visando unicamente nutrir
a própria religiosidade, ou dedicar-se ao que possa entender como uma tarefa
missionária.
Se
pensarmos a questão religiosa com mais liberdade mental, sem preconceitos,
podemos concluir que o futuro das religiões está na religiosidade e não nos
formatos religiosos.
Também é fácil entender que não existe uma religião certa, verdadeira ou
legítima, porque em todas elas, apesar dos interesses, também há sinceridade, há
verdade, há Deus, mas com interpretações diferentes.
Quanto ao Espiritismo, não há nele hierarquias nem sacerdotes. Para quê
intermediários entre a criatura e o Criador, se eles também são tão imperfeitos
quanto qualquer ser humano?
Em
seus ensinos, Jesus sempre apresentou cada pessoa como a única responsável por
si mesma, não por graças de qualquer natureza, mas tão-somente pelas atitudes,
omissões e ações vivenciadas no cotidiano.
Allan Kardec ao codificar a doutrina dos espíritos não pretendia criar mais uma
religião. Evitava até usar esta palavra, vendo no espiritismo uma ciência e uma
filosofia com conseqüências morais. Em O Espiritismo em Sua Mais Simples
Expressão, opina que é possível ser muçulmano, católico grego ou romano e
espírita. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, preferiu tratar do
aspecto moral do cristianismo, pois a moral cristã é admirada até pelos
não-cristãos.
Kardec estabeleceu três critérios para a aceitação dos ensinamentos dos
espíritos: a universalidade das suas informações, a sua utilidade e
racionalidade.
O
famoso astrônomo francês, Camille Flammarion, ao discursar no enterro de Kardec,
disse que ele fora, (ou era, já que não havia morrido, mas sim desencarnado) "o
bom senso encarnado", tal a sua lucidez e equilíbrio ao tratar de temas tão
profundos e complexos.
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