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Foi o
que aconteceu com relação a Jesus. Em vez de vê-lo na qualidade de Mestre, que
veio ensinar ao ser humano caminhos mais compatíveis com o seu momento
evolutivo, acharam melhor transformá-lo no salvador, que, através do seu
sofrimento estaria livrando seus seguidores de todos os pecados, resgatando-os
mediante o próprio sacrifício.
Mas
agora já é tempo de começarmos a pensar com mais coerência, porque no mundo
atual não mais se justificam tais enganos. Já é tempo de começarmos a refazer
nossos conceitos, tornando-os mais coerentes com a realidade.
Assim, podemos perceber o erro daquelas velhas idéias de que Jesus teria descido
à Terra para morrer na cruz e com seu sofrimento, sua morte, pagar as culpas
humanas.
PERGUNTA PARA REFLEXÃO
Se
você tivesse vários filhos, sendo que apenas um deles fosse uma pessoa boa e
correta, e os demais apresentando todos os vícios e maldades que se possa
imaginar.
Como
seria a sua atuação com relação a eles? Iria condenar à morte o filho bom, para
com isso sentir-se quitado com relação aos erros dos filhos maus?
Jesus
veio á Terra na condição de messias, em missão sacrificial, para nos ensinar um
novo caminho, a nova Lei, a nova Ordem: a do Amor. Ele veio para falar sobre a
imortalidade da alma e nos ensinar como agir, que atitudes adotar para a nossa
salvação, ou melhor, para nossa evolução. Na verdade, não estamos precisando nos
salvar porque não estamos perdidos. Estamos sim, precisando evoluir, progredir
moral e espiritualmente.
Ele
veio como um irmão mais velho, para ensinar os mais novos e apontar-lhes os
caminhos certos.
As
idéias que trouxe eram tão inovadoras e difíceis de serem aceitas, que foi
necessária a sua morte naquela condição tão dramática para marcar de forma
indelével a sua passagem pela Terra e os seus ensinamentos, todos eles
fundamentados no Amor.
Esse
enfoque não é muito mais coerente com a idéia de um Deus justo e bom?
Basta
refletir um pouco para concluir que sendo Deus o máximo poder do universo, autor
das leis universais, poderia simplesmente perdoar os pecados do ser humano, sem
necessidade de sacrificar alguém, muito menos um inocente. Melhor ainda, ao
programar o ser humano poderia tê-lo feito perfeito, com todas as qualidades e
sem nenhum valor negativo.
PERGUNTA PARA REFLEXÃO
Quanto ao pecado, acredita que Deus teria colocado na programação do ser humano,
quando o planejou, inclinações, tendências, desejos ou necessidades, para depois
cobrá-lo por essas ações?
Se
fomos criados por Deus, é claro que Ele nos planejou antes de nos criar. Assim,
não faz sentido acreditar que Ele nos tivesse planejado com tendências para o
mal. O bem e o mal, na verdade, fazem parte da nossa evolução. É por esses
caminhos, através das nossas vivências, das dores e alegrias do cotidiano, que
vamos aprendendo as grandes lições da vida, do bom convívio, da fraternidade,
enfim, a ciência do bem viver.
Mas a
teologia jogou sobre Jesus as nossas responsabilidades, os resgates que são
nossos, cuidando de ignorar tudo que Ele ensinara sobre a lei de ação e reação,
quando dizia: “Tudo que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o também vós”,
ou então, quando afirmava, “A cada um será dado de acordo com as suas obras”.
Os
judeus, desde o início de sua história, estavam acostumados a cometer faltas e
repará-las, ou melhor, “apagá-las” com o sacrifício de um animal. Esse tipo de
prática foi-lhes ensinado por Moisés porque era adequado ao momento evolutivo
daquele povo rude e um tanto primário. Mas observe-se que nos dez mandamentos
recebidos no Sinai não há determinações dessa natureza, porque eles refletem os
princípios universais da justiça e da ética. Neles não se fala em qualquer tipo
de sacrifícios. Fala-se em conduta, em atitudes. São diretrizes. São roteiros de
vida para o ser humano, visando à justiça social, à paz e ao respeito pelo que é
divino.
O
resgate dos pecados e a busca de complacência dos deuses através dos sacrifícios
era uso bem anterior ao próprio Moisés, mas foi ele quem codificou para o povo
israelita esses usos, visando “aplacar a ira de Deus” e conseguir que Ele os
abençoasse com saúde e bens materiais.
PERGUNTAS PARA REFLEXÃO
1 -
Acredita que Deus possa ficar irado com as faltas dos seus filhos imaturos?
2 -
Acredita que Deus, caso ficasse irado, iria aplacar sua ira se lhe fosse
oferecido o sacrifício de alguns animais?
3 –
Será que Deus, a causa primária de todas as coisas, poderia sentir prazer com o
cheiro do sangue dos sacrifícios, como é informado na Bíblia?
Essa
crença de que Deus estaria sujeito a irar-se, ou a sentir prazer com
sacrifícios... reflete apenas a profunda ignorância do ser humano.
PERGUNTA NATURAL
Por
que Jesus foi considerado o “cordeiro de Deus”?
Os
seguidores de Jesus, todos judeus, de acordo com a mentalidade vigente, viram
n'Ele o “Cordeiro de Deus” que vinha tirar os pecados do mundo. Essas idéias
estavam de acordo com a tradição judaica. Com isso, foram deixando para um
segundo plano Seus ensinamentos e exortações contínuas e constantes sobre a
necessidade de mudança nas ações e na mentalidade.
Mas
mudanças dessa natureza dependem da evolução, do amadurecimento espiritual. Por
isso, só agora, após quase dois mil anos, é que a realidade maior da missão de
Jesus está começando a ser compreendida.
É
quando estamos começando a entender a grandeza das ocorrências do Tabor. Foi ali
que o Mestre conversou com os espíritos Elias e Moisés, perfeitamente
materializados.
Naquele momento ali ocorreram fenômenos de variadas expressões: houve o encontro
de Cristo com Seus auxiliares diretos na condução do povo judeu, marcando o
início de um novo período evolutivo para a humanidade, ou pelo menos para o
mundo ocidental. Houve o fenômeno mediúnico da materialização, provando a
imortalidade do ser; a comunicação entre Jesus e aqueles espíritos, comprovando
a verdade da mediunidade e a possibilidade de intercâmbio entre essas duas
dimensões de vida. E essa comunicação foi presenciada por alguns discípulos,
testemunhas que foram do transcendente encontro, para levarem essa notícia à
posteridade. E por último, houve a presença de Elias e João Batista numa só
pessoa, porque o Mestre dissera em diversas oportunidades que João Batista era o
mesmo Elias do Velho Testamento que retornara à matéria como Seu precursor,
confirmando a realidade da reencarnação.
E
vemos, então, que aquela luz imensa que brilhou no Tabor, falando em vida, em
imortalidade, em mediunidade e reencarnação, só agora começa a ser vista por uma
pequena parcela dos cristãos, o que já é um grande avanço.
Hoje
já podemos começar a compreender que a mensagem do Cristo é de vida, de
imortalidade, de sabedoria, perfeição, evolução e amor, e não de morte. Graças a
Deus.
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