|
Quanto à ambição, é também uma clara amostra da tolice humana. É como um vírus
que faz sofrer seu portador. O ambicioso não tem paz, porque sempre está
desejando algo, desejando intensamente, e fica infeliz e frustrado quando não
consegue o que quer.
O
ambicioso está sempre querendo mais e mais. Ele não se conforma com o que
possui, mesmo que possua muito. Também não se aquieta para usufruir o que
possui, desfrutar das coisas boas da vida, que uma vida financeiramente folgada
pode proporcionar. O ambicioso é um eterno insatisfeito e, portanto, não é
feliz.
PERGUNTA NATURAL
O que
pode tornar feliz o ser humano?
Se em
vez da sede de poder, as criaturas se deixassem conduzir pela responsabilidade,
tudo seria diferente. Imaginemos como seria o mundo se todos os homens públicos
trabalhassem visando o bem coletivo; se usassem seus potenciais para o beneficio
da comunidade e se toda a população fosse fraterna, honesta e solidária? A vida
seria bem diferente.
O
orgulho, a ganância e a sede de poder refletem a imaturidade do ser humano,
daqueles que pensam que as leis cósmicas permitem uma felicidade egoísta, onde
alguns se locupletam e outros vegetam.
A lei
divina é profundamente justa e sábia. E ela determina que a comunidade deve
evoluir como um todo. Todos devem contribuir para essa evolução. Aqueles que não
o fizerem acabarão tendo que sofrer as conseqüências de seus atos. Para isso
existe a reencarnação que modifica as posições dos seres e assim, todos, cada um
por sua vez, experimentam e vivenciam as inúmeras condições que o planeta
oferece. Uns aprendem mais rapidamente as lições da vida, da ciência do bem
viver. Outros custam mais a aprendê-las, mas nesse aprendizado todos acabamos
por compreender que ambição, egoísmo e orgulho não proporcionam felicidade, ao
contrário, são semeaduras de sofrimentos para o futuro.
Se
fosse possível olharmos o nosso interior, a nossa subconsciência; se fosse
possível olharmos com olhos alheios as nossas atitudes, veríamos logo que não
existem razões para sentimos orgulho ou sermos vaidosos.
Mas
o que é orgulho?
O
orgulho resulta da idéia que fazemos de nós mesmos e, como sempre, essa idéia
não é real, porque não conseguimos ver a nós próprios.
Poucas pessoas possuem visão interior correta, ou seja, a capacidade de
observarem a si mesmas, fazendo uma autocrítica justa, não tendenciosa. Quem
possui essa visão interior consegue avaliar a si mesmo, sem ilusões. A visão
interior correta é o resultado de esforço, de auto-análise, de reflexão, de
maturação do próprio espírito. Por enquanto, em nossa imaturidade espiritual,
quando resolvemos fazer alguma observação sobre nós mesmos a nossa deformada
visão interior só vê aquilo que possa servir de base para o nosso orgulho, a
nossa vaidade. Por isso só vemos as coisas positivas, principalmente aquelas que
acreditamos, ou nos interessa acreditar que possuímos.
Na
verdade costumamos nos ver numa condição muito superior à realidade. As
qualidades que observamos em nós, nos parecem bem maiores do que são, e os
defeitos que temos e que anulam muitas das nossas qualidades, esses, geralmente
não vemos, ou vemos com os olhos da complacência.
Geralmente, quando começamos a aceitar a idéia da reencarnação, nossa
curiosidade logo se acende para sabermos que personagens importantes podemos ter
sido no passado. E quando pensamos nos espíritos superiores, logo começamos a
imaginar qual deles deve ser o nosso mentor.
Ao
conhecermos as obras do espírito André Luiz, em suas narrativas sobre a colônia
espiritual Nosso Lar, através da psicografia de Chico Xavier, queremos logo
acreditar que somos procedentes daquela colônia, e ficamos imaginando que
descemos à terra nesta encarnação para realizarmos grandes missões.
É
sempre a vaidade que nos move, fazendo-nos sonhar com grandezas inexistentes, ou
com situações irreais.
Até
mesmo na mediunidade as almas imaturas, ao perceberem a presença de um guia
espiritual, vão logo imaginando que se trata de um Bezerra de Menezes, Emanuel,
André Luiz ou outro espírito conhecido e admirado. E quando a entidade se
comunica a imaginação exacerbada pela vaidade pode até mesmo acionar os
mecanismos do animismo e a comunicação poderá encerrar-se apresentando um nome
de alguém que ali não estava. Isto se chama animismo.
Se
olharmos com os olhos da verdade para dentro de nós, analisando com absoluta
sinceridade nossas grandezas e mesquinharias, nossos valores positivos e
negativos, veremos que fazemos parte do grande rebanho humano com todas as suas
idiossincrasias, suas luzes e suas sombras. Se já conseguimos alcançar um pouco
mais de conhecimento espiritual; se buscamos intensamente nosso crescimento
interior sob as claridades do Evangelho, esse fato deve nos alegrar e nos tornar
mais gratos àqueles que do Alto acompanham nossa jornada, nos auxiliando sempre.
Mas deve também fortalecer nosso senso de responsabilidade, convidando-nos à
vivência da humildade.
|