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Mas quando entendemos Deus como a causa primária de todas as coisas, a
soberana inteligência, justiça, sabedoria e amor, como no-lo apresentou
Jesus e como o bom senso nos indica, não podemos deixar de crer na
reencarnação e na lei de causa e efeito. Não fosse assim, teríamos de
concluir que existem seres mais inteligentes, mais competentes e
criativos, com mais elevado senso de justiça e de amor do que Deus,
seres esses que teriam inventado os mecanismos da reencarnação e a lei
de ação e reação para conduzir o caminhar da humanidade.
Será possível existir alguém melhor e mais competente do que Deus?
Se existe, esse alguém terá de ser, forçosamente, superior a Ele. Isto
favorece a teoria de que Jeová não seria Deus, mas sim o Espírito
responsável pela evolução do povo israelita. Isto realmente faz sentido.
As incongruências e absurdos encontrados no Antigo Testamento autorizam
a apresentação de hipóteses, algumas das quais foram levantadas por
Jaime Andrade no livro O Espiritismo e as Igrejas Reformadas:
a) certamente Moisés, visando infundir respeito naquele povo rude e
orgulhoso, atribuía à divindade todos aqueles rompantes de ira, ameaças
e ordens cruéis de que o Antigo Testamento está repleto, assim como,
também, de tantas outras leis e orientações, como as dos holocaustos,
oferendas etc.;
b) é bem provável que os seres espirituais responsáveis pela evolução do
povo israelita se fizessem representar por Jeová, uma deidade tribal,
talvez até mais de uma, como se pode inferir pela leitura de Gen. 3:22:
“Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal”;
c) o Protetor da nação israelita seria uma entidade mais ou menos
identificada com a índole guerreira da raça, pois cada homem e cada povo
tem um Guia espiritual compatível com seu próprio grau evolutivo; talvez
fosse algum dos seus antepassados, dotado da autoridade necessária para
impor-se e dominar.
Esta hipótese é confirmada em 2o Samuel 7:6, quando Jeová disse que
habitava no tabernáculo, ou “de tenda em tenda” (1o Crôn. 17:5); em
Números os capítulos 28 e 29 são dedicados às ofertas contínuas e às das
festas solenes, ofertas essas constituídas de sacrifícios de bodes,
cordeiros, novilhos, carneiros, além de manjares e bebidas alcoólicas.
Em onze dessas orientações, quando se trata dos sacrifícios de animais,
há a referência ao aroma agradável ao Senhor, como no cap. 28, vers. 27:
“Então oferecereis ao Senhor por holocausto, em aroma agradável, dois
novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano”.
Também havia bebidas alcoólicas, conforme se lê no cap. 28, vers. 7: “A
sua libação será a quarta parte de um him para um cordeiro; no santuário
oferecerás a libação de bebida forte ao Senhor”. No Dicionário Aurélio
se lê: “Libação: 1. Ato de libar. 2. Entre os pagãos, ritual religioso
que consistia em derramar um líquido de origem orgânica (vinho, leite,
óleo etc.) como oferenda a qualquer divindade. 3. Ato de libar ou beber,
mais por prazer que por necessidade.”
Pense um pouco no absurdo dessa idéia: o Criador e mantenedor do
universo e da vida, habitando nas tendas dos judeus e recebendo
prazerosamente oferendas de álcool e de sangue...
Esse tipo de procedimento pode ser encontrado, hoje, embora em menores
proporções, nos terreiros que praticam rituais com bebidas alcoólicas e
sacrifício de animais. Esses rituais geralmente são destinados a fazer o
mal a alguém, ou a desmanchar um mal que já fora feito num formato
semelhante.
Então perguntam: como pode um espírito beneficiar-se com esse tipo de
coisas?
Muitos espíritos menos evoluídos, cujos corpos espirituais são mais
adensados, por sua maior proximidade com a matéria física, e em razão de
seu atraso espiritual, procuram nutrir-se com energias animalizadas, a
fim de poderem dar continuidade às sensações materiais, como se ainda
tivessem o corpo carnal. E eles sugam as energias do sangue que é
derramado em sua intenção, assim como de outros elementos que lhes são
oferecidos, encontrando nisso grande prazer.
Ocorre, assim, que essa aura de sacralidade e intocabilidade que foi
dada à Bíblia tem sido usada ao longo dos séculos como recurso para
alienar consciências, manietando-as aos ditames das religiões e, com
isso, causando indescritíveis prejuízos à evolução espiritual dos povos
que vêm se guiando por ela.
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